Faz um tempo que não venho pra esse lado. O lado de quem escreve, de quem transmite alguma mensagem importante (ou não) através do simples ato da escrita. Pra mim é como se eu tirasse um grande peso das minhas costas quando escrevo, mesmo que o objetivo final não seja alcançar elogios de pessoas mais inteligentes que eu. As vezes é só pra descarregar a emoção mesmo...
Tem horas que a saudade bate tão forte que somos incapazes de agir como gostaríamos, e é com o papel e a caneta (ou pra não parecer velha, o computador) que descontamos tudo aquilo que estamos sentindo.
A adolescência é uma fase da vida que eu tenho fé, com todas as forças ainda existentes em minha alma que um dia conseguirei entender. Nós jovens em determinados momentos parecemos ter o prazer em humilhar e desmerecer o outro, mesmo que a olho nú pareça algo da mais perfeita normalidade e consequência da espécie. Sim, porque é exatamente isso que nos é passado através das gerações. Nossa sociedade é baseada em ambição, hipocrisia, mentiras, corrupção, falta de ética e muitos outros nomes sujos, dos quais me sinto infeliz em citar, mas é a realidade. É assim que crescemos, é assim que aprendemos a viver.
Pra ser sincera eu nem queria falar disso, mas sou do tipo de pessoa que começa em um ponto e termina do outro lado do hemisfério. Quero falar sobre saudade sem chorar, sem nostalgia, sem melancolia, mas quando me lembro do que eu era há três anos atrás, das pessoas que me cercavam e do que sou hoje, é impossível não se deixar levar por esse sentimento único.
Queria que meu melhor amigo fosse o mesmo e que ao olhar pra mim seus olhos brilhassem novamente dizendo em retórica aos meus "em vocês eu posso confiar". Quero fazer de hoje, aquilo que não fiz ontem, pra que amanhã eu olhe para trás sem arrependimentos e perceba que tudo valeu a pena.
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
terça-feira, 4 de outubro de 2011
ColdPlay

A magia do coldplay me deixa curiosa. Essa banda formada por quatro britânicos incríveis na arte de me emocionar com suas letras românticas, seus shows maravilhosos e o sucesso na combinação do clássico com o pop rock.
É de arrepiar quando Chris Martin começa a tocar no piano a música "The Scientist" e todos em coro completam o refrão "Nobody said it was easy. It's such a shame for us to part..." Foi nesse momento e em "Viva la Vida" que senti toda aquela famosa energia que os artistas costumam dizer que a música é capaz de transmitir.
Devo confessar que não sou fanática pelo grupo, e nem ao menos sei os nomes de todos os integrantes, mas sou do tipo que curte o ótimo som produzido e respeita aqueles que o fazem. Não quero me casar com o Chris, não iria pro show com faixa na cabeça e nem dormiria na fila pra chegar cedo.
Sinto algo diferente quando ouço esse misto de violino com guitarra e assisto a um clipe totalmente artístico envolvendo as cores do grafite nas ruas.
ColdPlay pra mim é poesia contemporânea.
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
Primo Basílio

Ontem assisti o filme baseado no romance do famoso escritor português, Eça de Queiroz, "O Primo Basílio".
Confesso que precisei tomar coragem antes de assisti-lo, devido as inúmeras críticas dos colegas que já haviam assistido, pelas cenas de nudez envolvendo Basílio (Fábio Assunção) e Luíza (Débora Falabela). Em uma construção literária baseada no gênero realista misturado ao adultério, é praticamente impossível a censura quanto a eroticidade na dramaturgia.
A história se passa nos anos cinquenta, em São Paulo. Luíza é uma dona-de-casa de classe média burguesa, casada com o engenheiro Jorge (Reynaldo Gianecchini). Envolvido na construção de Brasília, o marido precisa se ausentar por algumas semanas e essa é a chance que a jovem esposa encontra para se entregar aos braços do Primo Basílio. No meio da trama, entra em cena a empregada Juliana (Glória Pires), que encontra as cartas da patroa com o amante e revolve chantageá-la em troca de dinheiro, fazendo com que Luíza viva um verdadeiro inferno na tentativa de esconder o caso de seu marido.
No realismo o escritor retrata a situação criada após o casamento, o qual na maioria das vezes era sustentado pela hipocrisia de uma classe tradicional. Com as atenções voltadas para a realidade e objetividade, podiam escrever através de histórias como "O primo Basílio" grandes críticas relacionadas a sociedade da época e desenvolver análises sobre a infidelidade no matrimônio.
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
Intolerância religiosa – Opinião própria ou desrespeito á liberdade de expressão?
No mundo atual somos obrigados a conviver com inúmeros tipos de desrespeito e preconceitos, formas degradantes e intoleráveis á uma sociedade feita de grandes homens ricos em sabedoria, jovens que lutam pela democracia e um alto índice de desenvolvimento econômico, da maioria dos países. O fato é, vivemos rodeados de pensamentos inconsequentes, talvez frutos de uma má criação , que acabam por resultar na falta de respeito, espancamentos, torturas, e em casos mais graves, genocídeos em massa.
Um dos temas mais questionados em todo o lugar, que gera muita polêmica por onde passa é a intolerância religiosa. Praticamente desde o início da civilização podemos observar o preconceito contra povos de diferentes religiões, desde a perseguição aos judeus, até os tempos atuais onde cristãos são mortos por defenderem sua religião em um país onde esta não é predominante.
Se olharmos para trás, conseguimos identificar a ira que se propaga contra quem não foi criado debaixo dos mesmos valores religiosos, gerando como consequência o desprezo e aversão pelo próximo.
Um terrível acontecimento que ficou marcado de vez na história da humanidade foi o holocausto. Cerca de seis mil judeus sendo executados (dentre eles mulheres, crianças, idosos e pessoas de alto poder econômico) nos chamados campos de concentração, em meio ao cenário da Segunda Guerra Mundial. Comandado pelo Governo Alemão Nazista de Hitler, que se dizia superior a qualquer raça, exterminando como animais judeus, ciganos, testemunhas de Jeová e outros, o holocausto é considerado um dos mais terríveis e impiedosos atos de desrespeito a liberdade de expressão humana, porém ainda capaz de formar seguidores cegos a ideologia
O povo judeu, ao longo do tempo veio adquirindo a má fama de perseguição pelas décadas, desde a Antiguidade quando perseguia cristãos, á idade média quando se tornaram alvos principais da igreja católica.
Devido ao fim do holocausto, os EUA decidiram criar o Estado de Israel, no qual a religião predominante seria a judaica, porém tomaria parte do território muçulmano da Palestina. Por conta de inúmeros conflitos a partir da criação do novo estado, hoje se estabelece uma constante luta entre judeus e muçulmanos, que já tomou a vida de milhares de pessoas de ambos os lados.
O preconceito nas universidades Israelenses esbanjado pelos dois povos, é algo infindável. Jovens que cresceram aprendendo a rejeitar o outro, tornando suas ações completamente antiéticas, fugindo dos padrões morais adotados por quem não deveria ter esse tipo de aversão. A questão dos muçulmanos e dos judeus é extensa, polêmica e complicada demais para ser debatida em apenas um simples texto, estaria os privilegiando se desse mais importância a tal assunto.
Nos dias atuais, é possível enxergarmos uma intensa batalha de posições sociais e cada dia que passa, a inaceitação quanto a liberdade de expressão religiosa. Mas a questão a ser levantada é: Até que ponto somos culpados? Será que realmente estamos certos?
Há ainda a questão dos ateus, que não são adeptos a nenhuma religião, e sofrem tamanha descriminação por tal escolha. Umas pregam o amor, o equilíbrio, o respeito a natureza, a compreensão e o perdão. Diferentes rituais sagrados, hábitos rotineiros, orações obrigatórias, alta devoção, fé, e até mesmo leis constitucionais regidas pela teocracia. Costumes e crenças que vivemos sendo obrigados a conviver e a respeitar, independente se seguirmos alguma delas ou não, somos acima de tudo seres humanos, com as mesmas características biológicas.
A intolerância muitas vezes passa do limite da heterodoxia, chegando a atingir o grau dos valores educacionais em uma sociedade. Aprender a aceitar é uma dádiva que tomamos e digerimos através dos tempos, com a sabedoria necessária a ser adquirida nas experiências da vida.
Um dos temas mais questionados em todo o lugar, que gera muita polêmica por onde passa é a intolerância religiosa. Praticamente desde o início da civilização podemos observar o preconceito contra povos de diferentes religiões, desde a perseguição aos judeus, até os tempos atuais onde cristãos são mortos por defenderem sua religião em um país onde esta não é predominante.
Se olharmos para trás, conseguimos identificar a ira que se propaga contra quem não foi criado debaixo dos mesmos valores religiosos, gerando como consequência o desprezo e aversão pelo próximo.
Um terrível acontecimento que ficou marcado de vez na história da humanidade foi o holocausto. Cerca de seis mil judeus sendo executados (dentre eles mulheres, crianças, idosos e pessoas de alto poder econômico) nos chamados campos de concentração, em meio ao cenário da Segunda Guerra Mundial. Comandado pelo Governo Alemão Nazista de Hitler, que se dizia superior a qualquer raça, exterminando como animais judeus, ciganos, testemunhas de Jeová e outros, o holocausto é considerado um dos mais terríveis e impiedosos atos de desrespeito a liberdade de expressão humana, porém ainda capaz de formar seguidores cegos a ideologia
O povo judeu, ao longo do tempo veio adquirindo a má fama de perseguição pelas décadas, desde a Antiguidade quando perseguia cristãos, á idade média quando se tornaram alvos principais da igreja católica.
Devido ao fim do holocausto, os EUA decidiram criar o Estado de Israel, no qual a religião predominante seria a judaica, porém tomaria parte do território muçulmano da Palestina. Por conta de inúmeros conflitos a partir da criação do novo estado, hoje se estabelece uma constante luta entre judeus e muçulmanos, que já tomou a vida de milhares de pessoas de ambos os lados.
O preconceito nas universidades Israelenses esbanjado pelos dois povos, é algo infindável. Jovens que cresceram aprendendo a rejeitar o outro, tornando suas ações completamente antiéticas, fugindo dos padrões morais adotados por quem não deveria ter esse tipo de aversão. A questão dos muçulmanos e dos judeus é extensa, polêmica e complicada demais para ser debatida em apenas um simples texto, estaria os privilegiando se desse mais importância a tal assunto.
Nos dias atuais, é possível enxergarmos uma intensa batalha de posições sociais e cada dia que passa, a inaceitação quanto a liberdade de expressão religiosa. Mas a questão a ser levantada é: Até que ponto somos culpados? Será que realmente estamos certos?
Há ainda a questão dos ateus, que não são adeptos a nenhuma religião, e sofrem tamanha descriminação por tal escolha. Umas pregam o amor, o equilíbrio, o respeito a natureza, a compreensão e o perdão. Diferentes rituais sagrados, hábitos rotineiros, orações obrigatórias, alta devoção, fé, e até mesmo leis constitucionais regidas pela teocracia. Costumes e crenças que vivemos sendo obrigados a conviver e a respeitar, independente se seguirmos alguma delas ou não, somos acima de tudo seres humanos, com as mesmas características biológicas.
A intolerância muitas vezes passa do limite da heterodoxia, chegando a atingir o grau dos valores educacionais em uma sociedade. Aprender a aceitar é uma dádiva que tomamos e digerimos através dos tempos, com a sabedoria necessária a ser adquirida nas experiências da vida.
Sombras do Passado
Tarde de quarta-feira. Tinha comigo uma ardência profunda originada de minha alma. Cavei lembranças nunca apagadas da memória adolescente, na maioria das vezes por muito esquecida. Mas essas não, nunca. Como poderia esquecer-me das brincadeiras infantis, das perguntas inocentes, dos jogos com o irmão no quintal da velha casa aos seis anos, dos flagrantes aos namorados no portão? Tomei posse de minha bicicleta naquele doce fim de tarde. Gostaria que o tempo estivesse quente para junto aquecer-lhe a leitura, mas fazia um frio; Para o deleite da minha tristeza.
Cheguei a passar pela minha antiga escola, sempre embalada ao som de alguma banda melancólica infiltrando-se por meus ouvidos. Olhava para a parte de dentro: Pátio, refeitório, portas das salas... Todas me transportavam para alguns dos momentos mais felizes de minha vida, aos quais nunca conseguira perceber com antecedência. Nunca conseguimos e depois quando tiramos consciência do passado, procuramos palavras para completar o vazio proporcionado pela imaturidade. E como ato seguinte tendemos a nos torturar por dentro com as frases "gostaria de voltar aquele tempo", ou "como eu era feliz". Infelizmente, exato foi como me senti.
Olhava ao lado e só conseguia enxergar crianças felizes por encontrarem seus pais a sua espera no horário de saída. Meus amigos vinham descendo as escadas dando adeus as professoras e correndo abruptamente aos braços dos homens de família. Me vi perdida, onde estava a pequena? Sim lá estava! Rosto puro, livre de pecados. Me sentiria uma perfeita idiota se tentasse descrever a leveza das minhas expressões ainda infantis.
Igual ao restante, fui me despedindo de todos e com os olhos aflitos ia procurando por meu responsável, até que de tanto procurar acabei avistando de longe o fusca branco parado na esquina a minha espera. Corri o mais rápido possível, como quem corre da morte para algo melhor. Ao entrar no carro me deparei ainda com a figura doce de meu pai. Me perguntou sobre as aulas, como havia tido com os colegas e aonde gostaria que fossemos. Eu criança sorria, admirando cada característica de sua face, cada resquício deixado pela idade, a forma como carregava consigo os óculos de armação redobrável- que hoje é minha mãe quem os usa - o relógio de sempre que nunca tirava do pulso, as canetas no bolso, o cheiro das mãos... O carro deu partida e com o tempo foi-se a figura emblemática de meu pai.
Os amigos de antigamente, os problemas não tão impossíveis de se resolver, escolhas e decisões tomadas me fazem crer que pude ter errado ou acertado. Afinal, é para isso que servimos, não?
A vontade que tenho é de permanecer pelo resto da vida com meus cinco/seis anos de idade, quando na casa ainda era o centro das atenções, a caçula espevitada que de tempos arrancara sorrisos da mãe. Dez anos passados a única coisa que arranco de minha mãe são reclamações aos céus por ter uma filha acomodada. Eu que aos seis anos me imaginava nos dias atuais realizada de todas as formas possíveis, me perdi num oceano de profusões mal resolvidas.
O passado se atenua as minhas costas teimando em reaparecer a qualquer momento em forma de espontâneas emoções e choro incontrolável.
É estranho, estou crescendo.
Cheguei a passar pela minha antiga escola, sempre embalada ao som de alguma banda melancólica infiltrando-se por meus ouvidos. Olhava para a parte de dentro: Pátio, refeitório, portas das salas... Todas me transportavam para alguns dos momentos mais felizes de minha vida, aos quais nunca conseguira perceber com antecedência. Nunca conseguimos e depois quando tiramos consciência do passado, procuramos palavras para completar o vazio proporcionado pela imaturidade. E como ato seguinte tendemos a nos torturar por dentro com as frases "gostaria de voltar aquele tempo", ou "como eu era feliz". Infelizmente, exato foi como me senti.
Olhava ao lado e só conseguia enxergar crianças felizes por encontrarem seus pais a sua espera no horário de saída. Meus amigos vinham descendo as escadas dando adeus as professoras e correndo abruptamente aos braços dos homens de família. Me vi perdida, onde estava a pequena? Sim lá estava! Rosto puro, livre de pecados. Me sentiria uma perfeita idiota se tentasse descrever a leveza das minhas expressões ainda infantis.
Igual ao restante, fui me despedindo de todos e com os olhos aflitos ia procurando por meu responsável, até que de tanto procurar acabei avistando de longe o fusca branco parado na esquina a minha espera. Corri o mais rápido possível, como quem corre da morte para algo melhor. Ao entrar no carro me deparei ainda com a figura doce de meu pai. Me perguntou sobre as aulas, como havia tido com os colegas e aonde gostaria que fossemos. Eu criança sorria, admirando cada característica de sua face, cada resquício deixado pela idade, a forma como carregava consigo os óculos de armação redobrável- que hoje é minha mãe quem os usa - o relógio de sempre que nunca tirava do pulso, as canetas no bolso, o cheiro das mãos... O carro deu partida e com o tempo foi-se a figura emblemática de meu pai.
Os amigos de antigamente, os problemas não tão impossíveis de se resolver, escolhas e decisões tomadas me fazem crer que pude ter errado ou acertado. Afinal, é para isso que servimos, não?
A vontade que tenho é de permanecer pelo resto da vida com meus cinco/seis anos de idade, quando na casa ainda era o centro das atenções, a caçula espevitada que de tempos arrancara sorrisos da mãe. Dez anos passados a única coisa que arranco de minha mãe são reclamações aos céus por ter uma filha acomodada. Eu que aos seis anos me imaginava nos dias atuais realizada de todas as formas possíveis, me perdi num oceano de profusões mal resolvidas.
O passado se atenua as minhas costas teimando em reaparecer a qualquer momento em forma de espontâneas emoções e choro incontrolável.
É estranho, estou crescendo.
quinta-feira, 21 de julho de 2011
O banheiro da mente
Se trancar no banheiro e cogitar a hipótese da veemência dos fatos.
Se trancar no banheiro olhando para o vazio perdido no espaço temporal.
Se trancar na mente de seu banheiro seria olhar para as amarguras fecais da sua própria imoralidade, transformada na hipocrisia de uma pessoa correta.
Tranquei-me.
As vezes me tranco lá, só pra saber qual o gostinho da sabedoria divina. Sim, porque quando me tranco, seja no banheiro ou não, costumo olhar para o "eu flutuante" como se o estivesse controlando de uma superioridade indefinida. Estou lá em cima e me vejo cometendo as maiores burradas de minha vida.
Se trancar para mim pode se transformar no mais intenso ato de liberdade mental.
Este sou eu, caminhando por um lugar indefinido, mórbido, cansativo desesperadamente á procura de um sentido paras as coisas. Tentando aproveitar cada milésimo de segundo dessa bolha chamada vida das formas mais improváveis e idiotas que um jovem adulto poderia questionar.
Meus pensamentos deliquêntes fazem de mim uma marionete desse contexto aristocrático. O destino me leva daqui prali sem perguntar o que eu realmente quero. Eu? Eu queria chutar o balde, sair sem rumo pela floresta tortuosa do momento, andando sem sentido e buscando uma verdade.
Se eu continuar assim, como serei quando tiver quarenta e tantos?
A realidade é essa, querido. Te envolve pelo começo e termina te dando um soco no meio da cara.
Mas eu sou diferente, eu me desprendo dela.
Você também devia ser sabia? Faz bem de vez em quando... Lava a alma, satisfaz o ego.
Esse é um daqueles momentos reflectivos no qual o narrador se põe como o salvador da magnitude analógica dos conceitos ilegais a ele aderidos.
Me chamem de louco, equivocado ou idiota se preferirem, mas pensei em tudo isso enquanto me trancava as duas da manhã no banheiro.
Se trancar no banheiro olhando para o vazio perdido no espaço temporal.
Se trancar na mente de seu banheiro seria olhar para as amarguras fecais da sua própria imoralidade, transformada na hipocrisia de uma pessoa correta.
Tranquei-me.
As vezes me tranco lá, só pra saber qual o gostinho da sabedoria divina. Sim, porque quando me tranco, seja no banheiro ou não, costumo olhar para o "eu flutuante" como se o estivesse controlando de uma superioridade indefinida. Estou lá em cima e me vejo cometendo as maiores burradas de minha vida.
Se trancar para mim pode se transformar no mais intenso ato de liberdade mental.
Este sou eu, caminhando por um lugar indefinido, mórbido, cansativo desesperadamente á procura de um sentido paras as coisas. Tentando aproveitar cada milésimo de segundo dessa bolha chamada vida das formas mais improváveis e idiotas que um jovem adulto poderia questionar.
Meus pensamentos deliquêntes fazem de mim uma marionete desse contexto aristocrático. O destino me leva daqui prali sem perguntar o que eu realmente quero. Eu? Eu queria chutar o balde, sair sem rumo pela floresta tortuosa do momento, andando sem sentido e buscando uma verdade.
Se eu continuar assim, como serei quando tiver quarenta e tantos?
A realidade é essa, querido. Te envolve pelo começo e termina te dando um soco no meio da cara.
Mas eu sou diferente, eu me desprendo dela.
Você também devia ser sabia? Faz bem de vez em quando... Lava a alma, satisfaz o ego.
Esse é um daqueles momentos reflectivos no qual o narrador se põe como o salvador da magnitude analógica dos conceitos ilegais a ele aderidos.
Me chamem de louco, equivocado ou idiota se preferirem, mas pensei em tudo isso enquanto me trancava as duas da manhã no banheiro.
domingo, 17 de julho de 2011
Aquele passageiro, sabe?

Tem horas que isso me parece tão estranho, sem sentido. Outro dia mesmo nos encontramos na praça central da cidade. Ele me olhou bem lá dentro dos olhos, de um jeito que faz as pernas quererem ceder e você tem que tomar o controle, sabe? Me levou ao centro do lugar que na noite fria de domingo já não havia tantas pessoas circulando, apenas jovens e não tão jovens bebendo e sorrindo regidos pelo som da música ao vivo de um artista de barzinho, tão romântico. Apenas eu e ele, encarando um ao outro. Chovia fraco mas não fizemos disso um empecilho para felicidade. Enquanto continuava a me encarar, fiz que olhava para o lado quando fui surpreendida por um beijo. Sincero, imaturo... Nos beijamos por um bom tempo e eu ouvia o cantor do barzinho ao lado tocando "Garotos". Ironia?
Andamos, conversamos sobre mil e uma coisas. Me contou sobre sua família, o amor pela irmã e o apreço pelos pais. Família conservadora, tradicional, sabe? Andamos mais um pouco até que pegou minha mão, meio sem jeito, carinhoso porém ainda mostrando para quem quisesse ver que aquela mão pertencia a ele, pelo menos naquele momento.
Sabe, sou bem jovem. Sou sim! Mas há muito não sentia aquilo na presença de um homem. Nunca colhi da reciprocidade afetiva masculina. Sempre espalhafatosa, sem medir as consequências. Também pudera! Para mim todos são defeituosos, insensíveis, imaturos, estúpidos, sensíveis em excesso, calados, feios, desarrumados, um sorriso torto, uma espinha aqui, outro defeito ali... Meu grande problema é pensar demais. O beijei e já nos imaginei com filhos em uma casa simpática isolada da cidade. Durante a semana o apresentei a meus pais. Recebi até anel de compromisso! Casamos sem que o noivo estivesse a par da situação.
Nunca comecei um relacionamento sem que em menos de duas semanas não achasse que a vítima seria um perfeito idiota.
Até agora não sei ao certo se o amei mas me doei naquela hora, minuto e segundo. Tive saudade quando não o vi durante a semana e já na seguinte não mais o quis como antes. Nos encontramos novamente e nada das faíscas do primeiro dia. Onde estava o ardor que havíamos depositado na caixinha de nossos corpos? Não me encarou como me encarara antes...
Estranho, sem sentido? Sim! A vida tem disso. Muita inocência atribuída a duas pessoas que mal sabem respirar, quem dirá amar.
Se foi amor? Acho que nunca vou saber. Mas pra mim a felicidade é isso, sabe? Um momento fugaz que pode fazer suas pernas quererem ceder e você precisa retomar o controle da vida.
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