domingo, 8 de dezembro de 2013

Desencontrárias

Eu queria pedir pra que você não fosse embora, mas seria quase como prepotência da minha parte te fazer um apelo desses. Queria que você ficasse, mas isso não tem nada a ver comigo, tem a ver com o que você faz da sua vida e as consequências dessas suas escolhas no futuro. Mas foda-se, o que eu queria mesmo era que você ficasse. O que eu sempre pedi nas noites de Reveillon finalmente aconteceu esse ano, e com certeza você teve uma grande parcela de culpa nisso que a gente chama de vida. Eu vivi tanta coisa em 2013, sabe? Coisas boas, coisas não tão boas assim, mas eu vivi, e encho a boca pra falar que sim, eu vivi.

Meu primeiro emprego e você tava lá, sempre pronta pra me auxiliar quando eu perdia o controle e só queria sentar naquele canto daquele estoque frio e chorar feito uma criança perdida da mãe na Leader. Eu entrava em desespero porque achava que ninguém gostava de mim, porque realmente parecia que ninguém gostava de mim, porque eu era quieta e nervosa ao mesmo tempo em tudo o que eu fazia, sempre com medo de errar, sempre com medo de falar, sempre com medo. E você sempre me recebia com aquele sorrisão sincero e espontâneo, como quem dissesse "Calma, menina! Tá assim por que?", como se todas as situações constrangedoras que eu vivi fossem nada e o que realmente importasse fosse o Nando Reis que tocava lá em baixo. Eu me descabelava pra fazer um trabalho que ninguém tinha me ensinado como fazer, e você foi uma das poucas que estendeu a mão pra me ajudar no meio daquela loucura. Eu queria ter desistido no meu segundo dia, porque parecia que só forçavam a barra pra ver até onde eu aguentaria, mas eu não desisti. Chegava em casa chorando, deitava no sofá e fazia todo o discurso da demissão pra nossa gerente na minha cabeça, e chorava mais, por me sentir uma perdedora. Eu pensava "Eu não vou desistir! Eu não vou desistir!" e não desisti. Chegava todos os dias de cabeça erguida, fingindo não escutar as fofoquinhas ou o projeto de bullying que algumas faziam, pra ver se o mês acabava mais rápido e eu ganhasse meu suado dinheirinho. Eu até hoje não sei como te agradecer por tudo isso e hoje eu me emociono lembrando desses dias de lutas intermináveis que eu passei nesse primeiro emprego.

Quando a gente começou a conversar e eu entendi quem você era. Devo confessar que foi bem bizarro ir percebendo aos pouquinhos o quão parecida comigo você é, tanto nas escolhas que já fez quanto nas escolhas que talvez faça. Tanto nas pessoas que amou, tanto nas músicas que você canta. A gente é muito parecida e muito diferente ao mesmo tempo, como acho que todos os seres humanos sejam, conservando sempre sua idiossincrasia mas nunca deixando de compartilhar dos mesmos medos e alegrias. Quantas vezes eu já te ouvi falar dos seus amigos de Belém, do seu irmão querido, do seu amor, da sua cidade, do carinho que vocês paraenses tem por esse estado que me parece ser tão singular. Sempre soube que você não era nossa, Fê, sempre soube que você é do mundo e que vive pra ele. Desde o dia em que eu te ouvi falando engraçado e quando comecei a tentar entender a sua perspectiva mediante às coisas. Você é completamente louca e é por isso que eu acho que nossas mentes e corações (por que não?) se encontram nessa catarse quase mediúnica. A medida que o tempo vai passando parece que a gente conhece e desconhece os nossos amigos, e eu te confesso que não sei até que ponto isso é bom ou ruim. Todo encontro é um desencontro e todo desencontro é um encontro, já dizia meu escritor preferido, JP Cuenca, mas o que seria da gente sem essas tais escolhas de todos os dias? O que seria de você se não tivesse escolhido vir para o Rio e ter se reinventado numa nova cidade, cheia de gente estranha, maluca e de coração grande feito eu? O que teria sido de mim se não tivesse deixado currículum naquela loja que eu pretendo nunca mais ter de prestar serviços, mas que me trouxe toda essa experiência de vida?

O que seria das nossas meninas prodígio do futuro sem essas "desencontrárias" de hoje que enxergam sempre o copo meio cheio ao invés do meio vazio? Se eu pudesse te pedir alguma coisa, pediria pra você ficar, mas eu não posso. Não posso te privar de nada porque não tenho controle nem da minha própria liberdade, quem dirá da tua. Eu só espero que você seja muito, mas muito feliz mesmo em tudo o que você se empenhar de verdade pra conseguir, e que se empenhe, por favor. Sem preguiça! Faz isso por mim que eu faço isso por você. Você cresceu, Fê, e vai chegar em Belém uma pessoa diferente só por ter conhecido todos nós daqui. Fica aqui a minha carta aberta a uma amiga que eu fiz nesse ano cheio de surpresas boas e gente linda, cheio de aprendizado e de superação. Não sei se você volta, mas se não voltar, aí está. Não te peço nada além das mesmas energias boas que eu criei por você, e que tudo o que a gente passou tenha algum significado pra nós duas.
E se voltar, fica aí um textinho bonitinho pra você ler sempre que quiser e mostrar pros amiguinhos paraenses que do lado de cá a vista também é bonita e a maré é boa de provar.

Beijo, Égua. E até daqui a pouco! Vou ali comprar um pão e já volto.
Jah Bless!

Luani Mendes

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

C&A da depressão

Minha mãe na sala...

- Luani, liga aqui que eu não tô enxergando. Tem discar e esperar ela pedir o número do cartão.
- Tá... 3...5...3...4...
- Não, pera, é do CPF.
- Tá, mãe. 2...2....3...2... Porra, essa mulher já tá falando outra coisa. Dá não.
- Dá sim, EU TÔ TENTANDO LIGAR PRA ESSA MERDA DESSA C&A POR QUE O QUE? TÃO ME COBRANDO 200 REAIS SENDO QUE O QUE? EU JÁ PAGUEI A PORRA DA CONTA. AÍ EU FUI LÁ NA MERDA DA LOJA E ME FALARAM O QUE? QUE É MULTA. AGORA CÊ VÊ...
- Calma. Vou tentar de novo. Ih, ó, anota o número do protocolo aí... 7...2...2..3...3..2..4...5..4...
- Muito grande esse número.
- Aqui mãe, atendeu. Toma.
- Oi, boa noite. Eu gostaria de fazer uma reclamação. Parece que vocês estão me cobrando 200 reais numa conta que eu já paguei e... NÃO PERA! Oi... boa noite. É que eu gostaria de saber... Tá, CPF? Tá. 2...2...3... Hãn? RG? PEGA LÁ MEU RG NO QUARTO, LUANI. Tá, só um minutinho viu? Então, 7...7...7...7... Bairro? Ilha do Governador. CEP? Luani, pega a conta de luz ali na mesa que tem o CEP. Ce sabe o CEP de cabeça? AI MEODEOS MOÇA EU NÃO SEI O CEP.
Não, eu já paguei a conta. Já paguei. Eu não quero que reduzam pra 100, porque eu já paguei e NÃO HÁ MOTIVOS PARA MULTA POIS EU JÁ PAGUEI.
Alô? Tá bom, eu espero. Oi! Boa noite... sim... OLHA SÓ MINHA FILHA EU JÁ EXPLIQUEI PRAS 4 MOÇAS QUE EU NÃO QUERO CONTINUAR PAGANDO UMA COISA QUE JÁ ESTÁ PAGA SENDO QUE EU NEM SEI O QUE É ISSO QUE ME ESTÁ SENDO COBRADO. EU ESTOU AQUI HÁ UMA HORA PRA RESOLVER UMA COISA QUE NÃO HÁ MOTIVOS, VCS ESTÃO DE SACANAGEM COM A MINHA CARA PORQUE NÃO É POSSÍVEL, NÃO É POSSÍVEL.
Tá, eu espero.
Oi, tudo bom? Sabe o que que é? É simples. Se vocês não me explicarem que merda de conta é essa, que a propósito eu sei que não estou devendo, eu vou botar vocês NO PAU E AÍ EU QUERO VER SÓ E VOCÊS VÃO VER SÓ UMA COISA... Heim? Tá, só um minuto.
Luani, anota aí o outro número na agenda que tem que ligar. Vou botar tudo na justiça e vai ser igual aquela vez da Claro! Ah, mas eles vão ver só.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

O caroço do angu

Então vamos lá. Eu e essa minha velha mania de achar que minha vida é uma arte, que alguma coisinha do meu dia seria um filme, um livro ou uma música, e que o narrador, inconsciente, sou eu. Tipo no "Paris Manhattan" com aquela voz em off do Woody Allen na parede do quarto da protagonista. No meu caso, durmo, acordo e faço graça com o Drummond da minha parede branca. Tá vendo como eu sou?

I guess what I'm trying to say (ru mine? arctic monkeys) é que no fundo, bem no fundo, devo fazer isso pra tentar fugir da minha vidinha banalzinha onde nada acontece quando tudo acontece. Como Amelie Poulain, também já me perguntei quantas pessoas estariam tendo um orgasmo neste exato momento, e morro de nervoso quando em um filme o motorista não olha para a estrada. Assim como a personagem do "Paris, Texas" (Wim Wenders), já entrei em intermináveis discussões e criei longos discursos com alguém que já tinha ido embora da minha vida há pelo menos uns três meses. O pior da catarse ser tão inexplicável é que, do mesmo jeitinho subjetivo que a cena aparece no filme, eu também conseguia ouvir a voz da pessoa me respondendo e até mesmo sentir o cheiro da criatura. E tenho absoluta certeza que se nos encontrássemos um dia, eu não conseguiria dizer nada daquilo que eu falei ao espelho. Paixão é foda...

Outro exemplo muito bom que eu tenho é meu caso com "Vicky Cristina Barcelona". Sim, podem comemorar, sou Cristina Futebol Clube quando o assunto é liberdade (principalmente se o caso fosse Penélope Cruz. Ai...). O fato é que sempre que me perguntam sobre sexualidade eu respondo com a mesma cara cínica de quem supostamente acabou de chegar de uma aventura sexual em Barcelona com um casal de artistas plásticos super conceituado e sensual: "pra quê rótulos? Acho que devemos viver de forma livre, sem pensar no que vier depois. A vida é tão bonita, as mulheres e os homens, para que definir as coisas? (suspiros)".

Vamos a mais um exemplo, desta vez, um tanto mais sério. Nunca sei em qual tipo de filme o meu dia vai se encaixar. Se em uma comédia tosca estilo "American Pie" (porque eu tenho 18 anos e convenhamos, é muito fácil acontecer.), se em um filme francês tipo "Azul é a cor mais quente" do qual ao invés de me apaixonar pela desconhecida menina de cabelo azul na rua eu me apaixono pela desconhecida menina de tatuagem no braço na Lapa, se em um preto e branco como Frances Ha do qual eu sou obrigada a me manter sozinha na cidade engolidora de sonhos que é esse Rio de Janeiro, ou em um desses Bad Ass do Bruce Willis. Porque no filme mesmo, o personagem nunca sabe no que tá se metendo, e nós que compramos a história só entendemos a mensagem pelo modo como nos é passado, pelo modo que o filme é dirigido, cortado, editado, fotografado ou pela trilha sonora. Quantas vezes já rimos de situações perturbadoras só porque a trilha era um instrumental meio Tom & Jerry, meio os 3 patetas? Tudo é questão de ponto de vista, assim como as nossas vidas.

Anyway, como diz uma amiga minha: "a tua vida é mais interessante do que um filme, porque você tá fazendo isso acontecer, e é real." Tá bom, Dands, prometo pra você que vou parar de me projetar num roteiro cinematográfico, até porque, com esse meu (des)talento o máximo que eu chegaria seria ao cineAngra (ó a maldade...). Parar de ver caroço no angu e viver do meu jeito. IT'S MY LIIIIIIFE, IT'S NOW OR NEVERRRR.... Ok, nada a ver. Mas será que se a gente simplesmente parar, a gente muda pra pior? Não teria que ser tipo com o álcool, que você vai parando aos poucos? Senão eu posso acabar igual a Amy Winehouse, né? E não queremos isso, né? Então eu vou parando aos pouquinhos. Um filme por vez, nessa bagunça de ser eu.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Cê sabe

Mas eu só queria ser sua amiga, juro! Porque você parece ser tão legal, sempre com esse sorrisão bonito no rosto. Queria te dar uns beijos, ficar agarradinha no sofá por um sábado inteiro, te ver rindo com algum mosquito na parede branca. Queria ser sua amiga, só isso mesmo, juro. Amiga que dá beijo todo dia, e essas coisas, cê sabe. Só amizade.

Amor então, também acaba?

A certeza acaba. Porém, para alguns depois de um amor "fail" ou fica o medo ou o gosto pelas coisas bonitas da vida. Aprende-se a olhar o lado bom dos objetos, diálogos e seu gato dormindo em cima da sua barriga. Com aquele toque poético da paixonite, o mundo fica mais bonitinho, mesmo que não haja mais nada que te tire os pés do chão. Por isso que eu falo:

A arte só existe após o amor. Bleh.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

tpm

Das dores e amores de ser mulher, a pior é a dor do útero. Sem útero, sem opinião. Porque tudo o que eu quero agora é assistir GIRLS debaixo das cobertas, só por causa da fotografia que me remete ao frio (vai entender...), a Lena Dunham e os diálogos e situações totalmente humanos pra minha realidade, por mais que se passem em NY com 99,99% do elenco composto por classe média com roupas caras usando salto alto o dia inteiro. (só não é 100% porque provavelmente esqueci de algum ferrado na trama.) Não me importando com nada disso, de certa forma, me sinto um pouco a Lena na série. Mas que porra, não era disso que queria falar.

O fato é que sentada no sofá, com tanta informação ao redor pela tv, jornais, um dos cinco livros que tento ler ao mesmo tempo do lado, apostilas do vestibular, reggae e a série no computador, começo a fazer aquele velho balanço das recentes ambições. Amor e desamor caminham juntamente por um lado, já por outro, o ódio de tudo e a saudade desabam em forma de lágrimas sem sentido algum pra quem estiver fora de mim. Fora de mim, tudo é bagunça. Dentro é pior ainda. Seja no útero ou no coração (pior analogia de todos os tempos, eca!).  E sim, a bagunça é real, é não é drama não. O papo aqui é outro, e também não tem nada a ver com quem eu amo ou deixo de amar. Tem a ver com o que eu sou capaz de fazer em tempos de vulnerabilidade corporal e emocional, pra chegar na tal afirmação feminina. Nosso corpo é puro amor. Às vezes dói, mas no fundo é amor.

assinado,
tpm

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Mundo Grande

O amor e a poesia. O coração. Depois que a gente se apaixona, desapaixona, apaixona de novo e se perde nesse plano paralelo, começa a enxergar a beleza das coisas. Depois do amor não vem a dor. Vem o olho quase microscópico que busca por alguma coisa que te faça sentir bem, como um poema do Drummond. Por falar de amor, você ama. Ama a sensação da página nova entre os dedos, do cheiro irresistível de livro novo, ama cada pedaço do papel que traz consigo alguns dos sentimentos mais lindos desse vasto mundo.

Você percebe que não está triste quando sente amor com o Drummond, na voz do Drummond, e sabe que se ninguém entender nada de nada, o Drummond ressuscita pra explicar pro mundo sobre o próprio mundo. Pra falar de amor, como só ele poderia falar, e explicitar essa capacidade resignada de que seu coração, assim como o meu, é bem pequeno. Ah, Drummond... como eu agradeço aos céus por você ter vivido nesta terra e ter deixado tanta beleza pra eu amar. Por você ter me ensinado que o amor nada mais é do que a arte, e a arte é o amor. Obrigada e me desculpe pelas palavras gastas. É que acabei de ler aquele seu poema "Mundo Grande", e fiquei verdadeiramente emocionada.

Somos 7

Achei uma matéria falando sobre como ficamos quando brigamos com nosso melhor amigo, e eu comecei a pensar sobre o fato de nunca ter tido uma briga séria com nenhum dos meus amigos. Aos 10 anos a Dandara ficou sem falar comigo por quase um dia, e eu não me lembro o motivo. Tinha alguma coisa a ver com o treino do futebol que a gente voltava, e ela ficou sem falar comigo por todo o trajeto pra casa. Não me lembro o motivo mas lembro do meu desespero interno em tentar fazer de tudo pra que ela parasse com aquilo.

Também fiquei alguns dias sem falar com a Marielly aos 12 anos, mas não faço ideia do porquê. Lembro que meu pai na época me mandou falar com ela porque era minha amiga, e amigos não têm que brigar. A Letícia também não me lembro de nada parecido, ou a Larissa, ou o Daniel, ou a Carol, ou a Bárbara, ou a Isabelle, ou a Priscila, ou qualquer um dos meus amigos. Tudo bem que minha memória nem sempre ajuda, mas a coisa mais certa nesse mundo é que amigos são como muletas que nos levantam quando não encontramos mais forças por dentro. Espero que vocês continuem comigo pra me apoiar nas próximas derrotas e tentativas frustradas de ser feliz.

Portanto, um beijo na bunda de cada uma. Era só pra dizer que tô com saudade!



segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Sobre as coisas

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Obrigada,
Schopenhauer

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Meu setembro encantado...

Preciso escrever sobre o que setembro de 2013 me trouxe de bom, toda a emoção e alguns dos sentimentos mais gostosos que eu já tive em toda a minha vida. Começo pelo fim, que foi o grande ápice do mês mesmo. Pela minha indecisão de comprar ou não meu ingresso pro Rock in Rio, show do John Mayer. Seria a primeira vez que o meu cantor preferido, o único gringo que eu realmente me importo viria ao Brasil. O único artista internacional que eu faria a força de sair de casa e ir pra Barra, abdicando de toda a minha preguiça pra ver o única cara que faz meu coração bater mais forte (ai como eu sou brega...). Era uma bela de uma oportunidade e eu não poderia perder. Desde os quinze anos sou apaixonada pelas músicas do John, me imaginava indo pros States pra vê-lo de pertinho. Então eu achei um cara na internet que vendia um ingresso por R$200,00, abri a mão e fui ser feliz na cidade do rock.

Foi um dos dias mais quentes do ano, sem sacanagem! A sensação térmica era de uns 50 graus e eu ainda estava de ressaca porque na noite anterior fiz o favor de tomar todas as melhores caipirinhas do Gafieira Elite, no aniversário de 18 anos de uma amiga. Em termos de saúde eu estava completamente na merda, mas pronta pra enfrentar qualquer perrengue pra ver o John de pertinho. Fui com a Luciana e mais duas amigas dela, a Claudia Claudia e a Taciana. Lu e Claudia são muito fãs do Phillip Phillips, (têm página dele e tudo) e eu e a Taci fomos pra ver o John. Ficamos lá na frente só esperando o show começar, e quando começou... Ah, quando começou... Eu enlouqueci! John FUCKING Mayer bem pertinho de mim, cantando "No such thing" e rebolando com o violão pendurado no pescoço. Eu gritei, chorei, coloquei todas as emoções pra fora MESMO porque 200 pilas valiam tudo o que eu achasse conveniente.

Durante o show todo o John se mostrou bastante feliz com a plateia brasileira, e nós, desesperadamente felizes de finalmente poder ver o rapaz de Connecticut com sua guitarra mandando ver no palco. E ele fez bonito! Na última música, "Gravity", levou todas as menininhas e até mesmo os rapazes à loucura quando jogou a guitarra no chão, sentou do lado e começou a tocar de olhos fechados com as famosas caras e bocas mais envolventes que eu já vi. Se eu pudesse descrever essa cena com uma imagem, diria que ele fez amor com aquela sortuda guitarra na frente de cerca de oitenta mil pessoas. No final do show ele agradeceu de coração, dizendo repetidamente que nos amava. Eu senti aquilo de verdade e fui pra casa pensando: "Foda-se meus problemas, John Mayer me ama".

Bom, depois de toda a euforia do meu primeiro Rock in Rio, tive que esperar mais uma semana até que a Pâmela chegasse, e o segundo Round do meu "setembro encantado" começasse. Na quinta-feira (26) a Pam chegou e fomos pra Ipanema com a Fernanda, o Daniel e a Fabíula. Paramos nas pedras do Arpoador, e num momento 4:20, sentimos todas as vibes boas daquele lugar. Arpoador é vida! O dia seguinte seria o motivo da minha Sis capixaba ter vindo, dia de assistir a gravação do Estúdio i na Globo News. A Pam estava super animada e eu, mega resfriada, tentando sobreviver até chegarmos à Von Martius... Chegando lá nos encontramos com a Maria e tudo correu como deveria ter sido. O programa foi ótimo, claro, e depois ainda ficamos pra assistir a uma gravação surpresa da Maria, que vai ao ar no dia do aniversário do programa. De lá, partimos para o Bazzar com a nossa linda, o Tom e o Flávio Mendes, amigo da Maria.

Chegando no Bazzar, a Maria Beltrão (mãe) já nos aguardava com o Luciano, marido da diva filha, e foi aí que passamos umas das melhores tardes do meu ano. É sempre tão agradável estar com a Maria que eu até esqueço o que é problema. E ainda ter o privilégio de poder ouvir as histórias da mãe dela, uma das mais respeitadas arqueólogas do país, não é pra qualquer um não. Nessa tarde eu pude contar tudo o que me aconteceu em 2013 pra Maria, tudo o que eu amei e desamei, falei do desastre do primeiro emprego e abri meu coração mesmo, como só faço com as minhas melhores amigas, e adivinhem? Essa pessoa linda me escutava atenta sem piscar, tentando adivinhar a cada palavra minha o sentimento que eu tinha, e depois que eu contei tudo, me falou as únicas coisas que eu deveria (e queria) escutar. Disse que eu sou forte demais, que sou durona e aguento com firmeza todos os problemas que a vida me dá. No final não parava de me elogiar, me chamando de linda, inteligente, doida pra torcer meu braço de tão fofa... <3

Aí é o que eu falo pra vocês, como que eu lido com uma pessoa dessas? Eu hoje tenho dezoito anos e sou fã da Maria Beltrão. Tenho a ousadia e a alegria de contar tudo o que eu passei nesse ano e ela me diz as coisas mais lindas que nunca ninguém me disse. Logo ela! Depois de tudo isso, quando eu vi, ela tinha agarrado a minha mão e segurando bem forte continuava dizendo "Você é forte, minha linda." Eu só conseguia pensar no quanto Deus me ama de ter preparado esse momento pra minha vida, e como eu sou sortuda de ter essa mulher na minha vida.

No dia seguinte fomos ao Parque Lage gravar a matéria dos internautas de aniversário do programa com a Luiza Zveiter, e também foi hiper bacana poder conhecer a galera que participa sempre e, como eu e Pâmela, são fãs do jornalismo.

Então, meu povo, essa foi a minha pequena maratona alegre de um setembro cheio de surpresas boas. Aliás, não posso reclamar desse ano de 2013. Ainda faltam dois meses pro ano acabar mas acho que já posso agradecer por todo o amor que eu senti, e todas as dores também. Como eu disse à Maria, pelo menos acontece alguma coisa. Afinal, o que seria das nossas vidas sem as dores e amores que nos são jogados de repente? Só sei que setembro foi um grande mês, e que os seguintes poderiam aprender algumas coisas com ele. Obrigada a todo mundo que fez parte disso!
Vai ficar pra história.













quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Desde que o mundo é mundo

Exponha sua opinião a respeito da cultura de transgressão das leis, tão
comentada no Brasil de hoje. Tema UERJ 2010.


Desde a formação do Brasil vivemos sob o pressuposto de uma sequência de transgressões das leis e ética, herdada muito antes pelos portugueses. Com o decorrer do tempo, veremos tal sequência se transformar numa terrível cultura de apaziguamento de sérios problemas, hoje conhecida como "jeitinho brasileiro".
(7linhas)
Se ao voltar da balada você for abordado por policias em uma blitz e estiver sem habilitação, nã se assuste caso enfrente a possível situação de suborno com os guardas. No Brasil, isso é bem comum.
(3 linhas)
Porém, o cenário cotidiano ainda se enquadra como uma consequência do que se aprende com aqueles que deveriam servir de exemplo. A política brasileira é hoje uma das mais corruptas do mundo. Se considerarmos a origem de nosso país, as inúmeras estratégias da Coroa portuguesa de tentar se reerguer em meio a crises coloniais, colocando a grande massa da população em segundo plano, obteremos respostas a alguns problemas atuais.
(8 linhas)
Recentemente o Brasil enfrenta escândalos como o do mensalão, de desvios de dinheiro público e superfaturamento. Todos por parte de governantes que a própria população, em ato democrático, elege sem culpa com o passar dos anos.
(4 linhas)
Ao que tudo indica, o país do futebol, do samba e das mulheres bonitas carrega nas costas não apenas a tradição da hospitalidade contínua, mas traz consigo também a cultura transgressora. Nossos representantes políticos são o espelho de uma sociedade "esperta", desde que o mundo é mundo.
(6 linhas)

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Por que somos idiotas

Por que somos idiotas? Oh, simple question, Hard answer. Porque a gente acredita.
Acredita e acredita e acredita e perde o medo e é feliz e ri e chora e canta e brinca e vive e tem esperança e arrisca e flutua e volta a ter medo e arrisca demais e fala eu te amo.
A carne que nos foi feita, o sangue que corre pelos corpos esquecidos e desconfigurados, esses permanecem, sem saudade, sem questão de qualquer coisa. A gente esquece, e então volta a lembrar, mas quando lembra já não sente mais o coração saindo pela boca como um peixe que luta pra sobreviver fora do aquário. Esquecemos de lutar, esquecemos da Marisa Monte, do Nando Reis, da Ana Cañas, do Leminski e do Manuel Bandeira. A gente esquece que é idiota e acaba se sentindo pior ainda, esperando que a próxima idiotice não traga consequências piores pra um coração na merda.
A gente continua sendo, sem ser. Tentando não cometer mais nenhuma idiotice catastrófica, tentando me desapegar da idiotice gostosa que é ser uma grande idiota.

"Eu danço no vento, me perco no tempo
Balanço, sacudo o cabelo
E não fico só
Eu não tenho medo da chuva, e não fico só."

domingo, 18 de agosto de 2013

Desculpe o auê

Por vc eu roubei os anéis de saturno. Me prenderam. Peguei pena de 17 anos e meio por crimes contra a humanidade e hj tô aqui.
Te amo.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Bigodes

O homem do bigode, de cachorro não teve nada
  Quando caí me ajudou
A esquecer a pessoa amada.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

O Ferro

Hoje saí do meu trabalho com dinheiro, e comprei tudo o que achava ser meu de direito. Comprei blusa, comprei bota, comprei calcinha, comprei sutiã, comprei ferro nas casas bahia... O texto é só pra explicar a metáfora que esse ferro significa nessa nova etapa da minha vida. O ferro representa a maturidade do pós escola, a responsabilidade de pensar em passar minhas roupas e de trabalhar pra poder pagá-las. O ferro sou eu. Afinal, quem com dinheiro e 18 anos compraria um ferro sem precisar?

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Imergir

Tenho medo.
Medo de você se apaixonar por outra pessoa no show do Silva, não é impossível. Impossível é eu não mentir pra mim mesma com a velha lorota de que te esqueci. Sei lá, lá sei de nada.

Eu vou deixar seu nome imergir.
Cartas, imergi-las
Fotos, imergi-las
Datas, imergi-las
Discos, imergi-los
Livros, imergi-los
Beijos, imergi-los
Rastros, imergi-los
Pro seu fim.

Assinado, eu.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

sexta-feira, 21 de junho de 2013

O jacaré

Todo mundo que participa da minha vida tem uma grande parcela de culpa sobre as coisas que eu costumo pensar. Todo mundo é um personagem fundamental nessa cena que é viver. Hoje no meu horário de almoço, passando pela área de jogos pras crianças no shopping, me vi ali naquele mesmo piso há uns doze anos atrás. Minha mãe me segurando pela mão, me ajudando a enfrentar o medo de entrar na boca de um jacaré inflável porque eu realmente achava que se entrasse ali não sairia mais.

Aí eu fui, morrendo de medo daquela situação, só que quando cheguei nos dentes do bicho meu corpo travou e não conseguia dar um passo a frente. Quis sair correndo, ir pra minha casa e nunca mais sair na rua.
Agora, doze anos depois, me vejo numa situação um tanto parecida só que o bicho se chama "minha gerente" e eu não posso sair correndo chorando pra minha casa (por mais que eu queira) por questões de "preciso do dinheiro". Enfim, como o que eu mais faço no trabalho é viajar olhando pro nada, formular algumas ideias sem sentido ou que tenham tudo a ver, achei interessante essa analogia da minha infância com a minha presente metamorfose.
Nunca a Luani pirralha iria imaginar que um dia o jacaré se tornaria sua menor preocupação.

O Adilson poderia ter sido o homem da minha vida.

E se eu tivesse atendido as ligações do Adilson q eu conheci no carnaval?

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Primeiro emprego - O espetáculo está só começando!

Nunca me passou pela cabeça que trabalhar numa loja de shopping fosse tão exaustivo e estressante como realmente é. Nunca me passou pela cabeça que os lojistas fossem tão competitivos como realmente são, como devem ser, como fogem de um sonho e se aquietam num conformismo solidário.

Trabalhar de vendedora numa loja de roupas femininas tem seus prós e contras em seus múltiplos ângulos. Posso afirmar que é tudo uma grande peça teatral, da qual eu, mera novata, sou apenas uma figurante tentando ganhar meus míseros reais no final do mês. Antes da loja abrir a gente limpa tudo, varre, espana vitrine, deixa tudo num brilho só. Aí subimos ao estoque, sentamos num banquinho e começamos o processo de embelezamento. Arruma-se o cabelo daqui, enche-se a cara de maquiagem de lá, uma fofoquinha acolá, unhas novas, mulheres que transam (de todos os jeitos possíveis), que fazem questão de expor suas vidas pessoais pra mim, que são casadas, que são noivas, que são escravas do trabalho, que são escravas de um dia pesado, que não sabem o que querem mas que sabem que não querem passa o resto da vida ali.

Aí eu puxo um banquinho e apenas presto atenção nesse mundo engraçado. São todas da faixa dos 20 anos, envolvidas com alguma responsabilidade, algo que as prendam mas que as fazem se sentir seguras de um certo modo. Então a gente desce, já lindas e prontas para vender. A porta da loja abre assim como as cortinas de um palco mas as atrizes somos nós. Eu estremeço dos pés à cabeça. É o palco da minha vida. "Nunca vire de costas para a frente da loja", me disse uma das vendedoras, "e fique sempre com a sua postura ereta. Quando um cliente entrar, aborde com simpatia mesmo que seu dia esteja péssimo. Nunca tire o sorriso do rosto, mostre variedades das novas coleções, monte um look para a cliente, ache as roupas no estoque, não erre a boleta na hora da venda, não use diminutivos com as clientes, esteja sempre com o cabelo impecável, nunca sente no sofá ou em qualquer outro lugar, não se apoie nos móveis da loja e lembre-se... a cliente tem sempre razão. Entendeu?" "Claro!", afirmo com tom de medo na voz.

Assim é o início do meu teatro diário. No início faço de tudo para acertar e como consequência factual, o erro me persegue. Reprimo mentalmente as meninas que xingam as clientes que não compram nada na loja mas logo me rendo a esse pecado, sou hipócrita mas também sou filha de Deus. Subir no estoque cerca de 15 vezes, ter a sorte de achar os produtos pra no final a pessoa não gostar de nada é como uma bala de borracha no olho.

Me perco sob minhas análises antropofágicas sobre as relações humanas nesse meio tão ambíguo que é uma loja de shopping. Ainda tento entender os motivos dos nervos a flor da pele, da facilidade em fazer com que a outra se sinta diminuída, da rapidez com que as coisas devem ser feitas e resolvidas, com a falta de compreensão de alguns. Entretanto, ali ninguém me conhece. Ninguém sabe que eu tirava as melhores notas em história na escola, que eu quero ser jornalista, que eu jogo futebol, que eu sou uma anta em matemática, que minha mãe tá em Angra, que eu gosto de friends e que eu viajo na batatinha. Ali eu sou a vendedora Luani, a mais novinha do grupo que tenta de todas as formas dar seu melhor no trabalho. Sigo em frente e aguento o rojão. Desço as escadas do estoque e me deparo com um papel ditando a meta diária da venda que cada uma deve ter ao final do expediente com um recadinho final dizendo "O espetáculo está só começando!".